Mude o Ritmo

 

Mude o ritmo

    Um motorista está parado no trânsito, um motociclista tenta passar pelo corredor entre os carros e atinge seu retrovisor. É o suficiente para dar início a uma acalorada discussão. A cena é comum, repete-se diariamente e, talvez, já tenha até acontecido com você. Aconteceu em uma manhã de 2013 com uma belo-horizontina de 38 anos, enquanto dirigia com os filhos até o shopping. A diferença nessa história é que ela era cardíaca e a discussão com o motociclista que danificou seu carro a levou a um infarto fulminante (aos que podem estar se perguntando, sim, a história é real e foi noticiada pela imprensa).

    Seria esse, então, o valor de uma vida? Um retrovisor? Quando reagimos de forma exacerbada em relação a um problema ou contratempo menor, não nos damos conta de que as consequências podem vir na mesma medida.

    Na matéria da capa desta edição, a psicóloga Pakisa Araújo aborda como as pessoas, em geral, perderam a noção entre o que é um fato muito grave, um incidente sério ou uma chatice dessas do dia a dia. Por que parece que, atualmente, esbravejar e xingar tudo e todos é a primeira resposta para qualquer problema?

    Com a aceleração constante do mundo moderno, somos bombardeados o tempo inteiro com informações, cobranças, prazos, etc. Tudo isso, sem dúvida, causa um efeito direto no nosso sistema nervoso, nos deixando mais tensos e “em posição de ataque”.

    Mas se não podemos desacelerar o mundo, pelo menos podemos tentar levar a nossa vida em um ritmo menos alucinante. É aquele velho clichê do “se quiser mudar o mundo, comece por você”. Pare, respire, olhe à sua volta, admire a beleza do dia, sinta o prazer de estar na companhia de pessoas que você estima. Contemple.

JORNAL Notícia Urgente – Órgão Informativo da Assemp. Editorial. Edição 243, outubro 2014.

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